sexta-feira, 18 de maio de 2012

Humanos e Androides


Normalmente meus posts são às segundas-feiras, mas não aguentei.
É muito louco como Deus faz as coisas, conspirando sempre pelo nosso bem.
Desde semana passada eu estava com alguns questionamentos internos, encontrando respostas e sentindo indignação. E foi exatamente este ultimo sentimento que me motivou a escrever hoje.
Indignação!
São Paulo, grande capital, cheia de gente indiferente andando pelas ruas todos os dias. Cheia de gente como eu que todo dia pensa, o que está me faltando?
Cheia de gente ansiosa, vazia e cansada. Cheia de gente com medo de gente. Cheia de gente que esquece que é humana e que viram coisas, produtos, que acham que valorizando o TER estão valorizando o SER.
Dizem, eu Sou porque eu Tenho dinheiro, beleza, talento, Cultura e uma porção de coisa que juntas não valem nada de fato. Cheia de gente louca pelo prazer de consumir o mundo, os outros e a si mesmas.
Mas eu pergunto, que diferença isso faz quando lhe falta humanidade? Quando não se consegue entender o que é amor, gratidão, paciência, sinceridade, humildade, quando não se consegue entender o outro, aceitar o outro.
As pessoas estão tão cheias de si mesmas, mas no fundo não sabem quem são, precisam se encher de alguma coisa qualquer pra dizer que podem ser, quando deveriam se esvaziar. Se esvaziar do egocentrismo, da inveja, da insegurança.

As pessoas estão confundindo amor próprio com orgulho próprio.
Amor próprio é quando a gente tem consciência de nossas virtudes e falhas, quando aceitamos que somos tão humanos quanto os demais, quando cuidamos de nós respeitando nossos limites e o limite do o outro porque também queremos ser respeitados e assim também zelamos pelo outro. Quando somos sinceros com a gente mesmo e dessa forma também somos com o outro pq não há o que esconder, somos iguais.
Sentimento de dignidade ou respeito que uma pessoa tem por si própria.
Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o outro.
Ame uns aos outros como a si mesmo.


Orgulho próprio é quando achamos que somos melhores que os outros, quando não temos a minima noção de quem somos, mas isso não importa, o que importa é que o que eu quero está acima de qualquer coisa, independente do dano que cause a mim ou ao outro. Quando somos indiferentes. Quando pensar é cansativo. Eu tenho o direito de ser o que eu quiser do jeito que eu quiser pq eu TENHO dinheiro, beleza, talento, cultura. E não pq eu SOU livre e assim como te respeito vc me respeito. É quando se está tão inseguro de quem se é que se tem a necessidade de se defender de td.

Ontem, participando de uma palestra de voluntariado fomos instigados a pensar no que temos vontade, facilidade e responsabilidade pra fazer pelo próximo e calhou com o que estava pensando nesta semana. Será que existe alguém que está preocupado em humanizar as pessoas? Aliás, nós mesmos estamos preocupado em sermos humanos?

As pessoas estão inconscientes, catatônicas e insensivelmente andando pela rua, respondendo aos apelos da futilidade e dançando conforme a música sem a capacidade de compor sua própria sinfonia e dividir com os outros. Não há tempo para se ter uma opinião própria depois de uma reflexão pessoal, não há tempo para trocar com o outro sem impor nada. E tem aqueles que tem uma opinião, acham que são os reis do mundo e ponto, conversar ou aprender algo novo é simplesmente fora de questão.
E quem sai dessa normativa? Quem distoa dessa "moda"? É exótico, aberto demais, verdadeiro demais, estranho demais, incompreensível, inaceitável...
O que as pessoas não percebem é que estes são simplesmente seres humanos no meio de androides.

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